
No meu entender, determinadas medidas que o Governo toma — e, infelizmente, são às carradas e cada vez mais absurdas — não merecem sequer ser discutidas: não chegam a ser pensadas e apenas resultam de um desesperado esforço para poupar dinheiro, a qualquer preço, como um sequioso moribundo que procura água nas areias do deserto. Em vez de perdermos tempo a analisar e a discutir estas aberrações — que só uma pedagogia prostituída pode acolher e tentar explicar — deveríamos usá-lo em prol de Portugal, cujo futuro está a ser esvaído.
A mais recente vaga de encerramentos de escolas — que o poder local vai tolerando, para evitar o encerramento de juntas de freguesia — foi-nos impingida, como se fôssemos mentecaptos, como uma imprescindível oferta de melhores condições para os alunos e blá-blá-blá… Então já o deveriam ter feito antes, aquando da primeira machadada, para não prejudicarem estes meninos que só agora vão ter direito ao seu paraíso “socretino”, ainda que situado longe de casa, longe dos pais ou por detrás de montanhas carregadas de neve. O mesmo deve ser dito dos mega-agrupamentos: andámos todos por aí a penar no deserto quando tínhamos o oásis aqui tão perto. O que virá a seguir? Os giga ou os super-hiper-mega-fixes?
Organizemo-nos, enquanto é tempo, e salvemos o que ainda pode ser salvo. O Governo não tem dó de quem não tem voz, é implacável com a gente do interior do país e com aqueles que se resignam. O Governo está desvairado e filado em nós, cegamente, como uma sanguessuga. Está na hora de dizer BASTA!
Luís Costa
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