Se as personalidades — as carradas de personalidades — que infestam os diferentes canais de rádio e de televisão cá da terra, para falarem da situação económica do país, perceberem tanto dessa poda como percebem de educação aqueloutras que, tendo notoriedade noutras áreas — como a do jornalismo e a da literatura, por exemplo —, vêm a terreiro dizer umas quantas generalidades, vulgaridades e clichés sobre o que se passa no sistema de ensino… estamos aviados.
O nosso primeiro-ministro é um bom exemplo de alguém que muito decide e fala de educação e que percebe tanto disso como eu de lagares de azeite. Praticamente no mesmo dia em que pulou da varanda a nova matriz curricular do segundo e do terceiro ciclo do ensino básico — pondo termo a Área de Projecto e Estudo Acompanhado — o homem veio a terreiro enaltecer o contributo que estas áreas (porque muitas escolas decidiram dar-lhes alguma serventia, anexando-as à Língua Portuguesa e à Matemática) terão dado para os “vistosos” resultados do PISA 2009. Elogio fúnebre, quase póstumo.
É claro que não vou ser mauzinho a ponto de dizer que Sócrates desconhecia as intenções do ME. Claro que não! Mas desafio o senhor primeiro-ministro a dar sentido a esses fósseis e a fazer justiça às muitas escolas que se adiantaram às reformas anunciadas: com as horas retiradas a essas áreas, reforce a componente lectiva (prática) de Língua Portuguesa e de Matemática. A literacia dos alunos agradecerá e evitar-se-á que muitos professores fiquem no desemprego.

























