Carvalho é a designação comum das cerca de seiscentas espécies de árvores do género Quercus da família Fagaceae e de outros géneros relacionados, nomeadamente Lithocarpus. O género é nativo do hemisfério norte e inclui tanto espécies caducas como perenes que se estendem desde latitudes altas até a Ásia tropical e a América. Em geral, as espécies de folha caduca distribuem-se mais para o norte e as de folha persistente para o sul. Os frutos do carvalho chamam-se bolotas ou landes.
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Sem de tal se aperceberem, muitos portugueses nutrem por este ente arbóreo uma verdadeira admiração inconsciente: ele é superlativo absoluto “superanalítico”; ele é arquétipo de sabor e de beleza; ele é o alívio, a explosão de alegria e de raiva, o melhor adjuvante e o mais acérrimo oponente… Ele é, em suma, a origem e o fim das coisas. Por isso, as frases em que aparece terminam sempre em ponto de exclamação.
Bem, acho que já estarão suficientemente motivados para, avidamente, lerem o resto do artigo. Vejamos então alguns exemplos:
SUPERLATIVO ABSOLUTO “SUPERANALÍTICO”: “Isto é aborrecido como o carvalho!”;
ARQUÉTIPO DE SABOR: “Eh, pá, este prato é bom como o carvalho!”;
ARQUÉTIPO DE BELEZA: “Aquela… nêspera é boa como o carvalho!”;
ALÍVIO: “Até que enfim, carvalho!”;
EXPLOSÃO DE ALEGRIA: “Conseguimos, carvalho!”;
EXPLOSÃO DE RAIVA: “Sai-me daqui, carvalho!”;
MELHOR ADJUVANTE: “Tiveste uma sorte do carvalho!”;
ACÉRRIMO OPONENTE: “Tivemos um azar do carvalho!”; “Está um frio do carvalho!”; “Está um calor do carvalho!”; “Estou metido num imbróglio do carvalho!”…
Todavia, em muitos inconscientes, esta linda árvore adquire proporções descomunais, mitológicas: talvez uma árvore genealógica capaz de albergar uma cidade, quiçá um país inteiro. Deve ser nisso mesmo que pensam quando dizem: “Ide todos para o carvalho!”.
Face a tão esclarecedoras evidências, serão inúteis as palavras para justificar a protecção a esta espécie botânica tão enriquecedora da nossa língua, que passa o dia a pronunciá-la das mais diversas maneiras e feitios. Não será ainda caso para fazermos dela objecto de adoração, mas talvez já justificasse um feriado, na altura das bolotas. Seria o Feriado do Carvalho. Nesse dia, poderíamos fazer a apanha e fartar os porcos com elas. Então não somos nós o povo que come o porco todo? Há que tê-lo bem cevadinho!

2 comentários:
Ó Luís, você tem uma escrita do carvalho!
Não deixa de ter a sua piada... apesar de vir de um/uma anónimo/a.
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