Sábado, 31 de Dezembro de 2011
Feliz Ano Novo
Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011
Ditaduras do Medo
Escrevi este texto há três anos atrás. Infelizmente, o seu referente está hoje muito mais percetível e inteligível. Por muito irónico que possa parecer, é o povo que está a matar a democracia em Portugal. E está a matá-la com a indiferença, com o abandono da cidadania interventiva, com o medo de agir. O povo permite que os programas e os atos eleitorais sejam uma farsa que transforma o seu voto numa imbecilidade. Vencido por fenómenos que não entende, rendeu-se a uma obediência cega, acrítica e fatalista. Sim, há uma corja que está no poder e outra que puxa os cordelinhos nacionais e internacionais, mas esses só continuam a manobrar porque o povo deixa.
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011
Crónica de Santana Castilho
Era uma vez a confiança
Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011
Vai-te Afundar o Fodistão
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
O inspetor está a chegar!
Domingo, 18 de Dezembro de 2011
Tecendo Natais
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Ferrum Ferro Acuitur
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
Noite Estrelada
Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
Não há desertos sem fim
Já lá vão quase mil e quinhentos dias de trincheira. São quase mil e quinhentos dias a pensar e a viver os problemas da Escola, os problemas da minha classe profissional, a toda a hora, sem descanso nem vontade de descansar. E, confesso-vos, ainda estou longe de estar saturado. Rendido? Nem morto!
Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
Crónica de Santana Castilho
Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011
A Lição
Andavam a baloiçar na minha cabeça desde o dia em que as vira pela primeira vez, à porta da mercearia do Ratado. Eram lindas! Oh, como eram lindas! A elegância, a perfeição das formas e o brilho próprio das coisas novas agarravam-me o olhar enfeitiçado, cobiçoso, rendido, condenado a vê-las mesmo quando não estavam diante de mim.
Domingo, 4 de Dezembro de 2011
O Negrilho

Hoje ainda não fui capaz de escrever. Tenho a alma moída e a mente emaranhada. Mas está para breve, eu sei, a hora de ser fonte. Pacienta um pouco comigo, estimado leitor, pois pode ser que valha a pena ver um rio onde ele nasce.
Hoje, ofereço-te um prosema do meu último livro — “Alto-Relevo: Caminhares da Alma” —, um pão de centeio farto com o mais genuíno e o mais humano dos miolos. Deixa que o sabor telúrico deste naco te emprenhe todos os sentidos.
A aldeia repousava sobre um seio da montanha, contornando a redondez das suas formas femininas. Aos pés do granito acinzentado das casas pardas, como pedaços de chão erigido, a tez verde e viçosa de alguns lumedeiros preenchia de viva frescura aquele bucólico lugar. No cimo do outeiro, onde a terra barrosã beijava o céu, o pináculo da capela erguia-se como um farol. Contudo, ao lado, um ente ousara crescer bem acima da cantaria da torre sineira: o negrilho secular.
Acalcanhei a terra das nervuras íngremes e emparedadas que atravessavam o pequeno burgo, dei o rosto nu e a paz dos meus bons-dias aos olhares que, das lajes das soleiras, das varandas ressequidas, da umbrosa solidão das pálpebras tristes das casas, me varriam, e trepei até ao sagrado mamilo daquele peito, em cujo âmago pareciam hibernar os teares do tempo.
Ao lado da longeva capela ― rosto gótico austero, sereno, meditabundo e escurecido pelo bafejo frio da serrania ―, agigantava-se o assombroso corpo do negrilho, cujo tronco, áspero e rugoso, só podia ser abraçado por três homens de bom porte. Os seus ramos, desnudados pela melancolia outonal, denotando vigor, erguiam-se para as alturas como uma raiz aérea à procura de alimento. Aos seus pés, as folhas serradas, formando uma extensa manta de belíssimos e indefiníveis tons crepusculares, acalentavam o longo sono daquele ancião, que vira nascer todos os aldeões vivos e várias gerações passadas, tantas que o ventre daquela terra já não podia rememorar.
Havia já muito tempo que as suas sâmaras aladas se entregaram ao vento, revolutearam no seu dorso, sobrevoaram o alto-relevo das cercanias e debandaram para longe, acabando por poisar algures, quando aquele nómada se apeou para retemperar os seus insaciáveis ímpetos. Já contara muitos saracoteios da lua, desde o tempo em que as suas sedosas sâmaras, em dias de pastoreio do Sol, sem sopro que se sentisse, se soltavam dos seus dígitos e caíam logo ali, aninhando-se no confortável aconchego do colo paterno. Já mal recordava os últimos olhos ansiosos e redondinhos que treparam aos seus folhosos braços, catando ninhos, caçando passarinhos, anafando ilusões. Longe iam esses tempos de renovo em que o Homem ali também fecundava a Primavera. O demorado Outono trouxera o silêncio e a solidão no seu somítico alforge, entranhara-se naqueles peitos serranos como uma calada leucemia que lhes empalidecera lentamente, impiedosamente, a seiva da vida.
Aproximei-me do solitário gigante para sentir a sua presença, a aspereza da sua pele encarquilhada, ver de perto as suas rugas, ouvir o cicio do seu sonhar. Algumas cicatrizes, que as invernias tornaram indecifráveis, deixavam adivinhar primaveras floridas, cheias de pólen e de perfume, beijos fervorosos e furtivos, muitas promessas de amor, muitos sonhos tecidos. Encostadas ao seu tronco, duas pedras sós, abertas para o céu, eram um livro aberto, farto de páginas grávidas de poesia, de poemas vividos que só os poetas sabem ler: inquietas ondulações da alma, segredos moídos, lamentos bebidos, cavernosos desgostos, muitas horas murmuradas, muitas saudades gotejadas no colo discreto daquele mudo eremita, que era, de facto, avô e confessor dos filhos daquele serrano gineceu.
O meu olhar salgado desviou-se instintivamente para a muda sonolência do casario — juntinho como um rebanho —, em cujos telhados algumas velhas chaminés enlutadas, desfiando finos fios de escura lã, que uma mão divina parecia dobar, afinal, também se arvoravam para o céu, exauridas de cor, chorando sâmaras!
Flávio Monte, "Alto-Relevo: Caminhares da Alma"
Decisão Tomada
A minha decisão está tomada. Vou entregar a edição do blogue a Flávio Monte, meu pseudónimo literário. Ele vai remodelar a montra e encarregar-se da edição. No que me diz respeito, admito a possibilidade de aqui vir, muito episodicamente, dizer qualquer coisa sobre a minha profissão.
Mais logo, no aconchego da noite, o novo senhorio já estará em casa.












