Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
Fidelíssimo
Regressei à minha
velha trincheira: o Dardomeu. Foi uma decisão mais afetiva do que intelectual,
mais do coração e do instinto do que da razão.
Peço muita
paciência aos meus 86 seguidores, pois não é fácil seguir alguém tão irrequieto
como eu. Se acharem que é tempo de dizer “Basta” à minha deambulação… Se
acharem que é tempo de dizer “Basta” a todas as outras malfeitorias…
Nos próximos
tempos, darei aqui notícia das publicações do Dardomeu. Depois,
progressivamente, deixarei o campo ao meu pseudónimo literário, Flávio Monte, que é livre de
dizer e fazer o que quiser desta sua residência. Tenho a certeza de que a sua
sensibilidade — tão semelhante à minha — não deixará de espelhar os mesmos
sonhos, os mesmos ideais e a mesma indignação também.
Sou inconstante
no acessório, mas mantenho-me fidelíssimo ao essencial. E resisto!
Luís Costa
Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Viva Zeca Afonso!
Celebrar Zeca Afonso, mais do que lembrar as suas canções, a sua música capaz de nos meter a mão no peito e abanar o coração, deve ser, creio eu, mostrar que ele está vivo em cada um de nós. Para mim, que aspiro a ser poeta, celebrar Zeca Afonso é, sobretudo, versejar à sua maneira, fazendo da minha escrita uma arma, mas também um elixir de força e de união. É o que eu tenho tentado fazer desde que cavei trincheiras na Internet. Foi o que fiz, por exemplo, em dezembro de 2008, com este poema que hoje aqui vos deixo novamente.
Senhores das Trevas
Filhos das trevas senhores sem rei
Sem horizontes nem finidade
Vivem da vida roubada à grei
Vivem do sangue chupado à lei
Da insídia e da feridade
Filhos das trevas senhores da morte
Predadores cegos e desleais
Têm na noite aliado forte
Cúmplice antiga velha consorte
De fartos banquetes canibais
Filhos das trevas senhores do breu
Fiéis herdeiros da escuridão
Têm na noite o seu apogeu
Tribuna antiga e coliseu
O altar supremo da traição
Luís Costa
Primeira publicação: 10/12/2008
Um 13 Nunca Vem Só
No dia 12 de setembro (véspera de 13) de 2011, preguei esta partidinha
precoce ao Passos e ao Relvas. Depois do que vi e ouvi ontem na TV — o relvado
em todo o seu esplendor — achei que a chalaça merecia honras de reedição.
Luís Costa
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012
Graças e Desgraças
Rubens - "As Três Graças"
Visto que hoje foi publicado o Decreto
Regulamentar n.º 26/2012, sobre a avaliação de desempenho docente, seria
inadmissível não falar aqui do novo regime de autonomia e gestão, aquele que o
nosso ministro entendeu sujeitar à duríssima prova da discussão pública.
Como já sabem os meus leitores,
novidades não é neste blogue. Se as quiserem, têm de ir aí um determinado
hipermercado ou aos blogues da concorrência. Por acaso, um deles, um destes
dias, até já disse, a propósito da avaliação do diretor, que é pois mui natural
que Sua Potência seja avaliada pelo Conselho Geral, visto que as direções
regionais são uma espécie não protegida em vias de extinção. Isto, sim, é que
são grandes novidades! “E quem mais poderia avaliar o diretor?”, perguntava,
com graça, o mesmo blogueiro. Mas que ganda ponto! E ainda Passos Coelho não
lhe concedeu tolerância! Imaginem se o tivesse feito!
Santana Castilho, na sua crónica “A
confissão de Passos Coelho”, atónito com tanta inovação, constata que,
doravante, os diretores vão poder ser avaliados por “um bombeiro, um
canalizador ou um polícia”. Não se admire, Professor, nem seja piegas! A
democracia veio para ficar, custe o que custar!
Aproveitando o elã, eu, que teimo em não
perceber nada logo à primeira (e raramente dispenso um desenho), deixaria aqui
três perguntitas e meia:
Primeira Perguntita – Então é válido que
aqueles que são avaliados pelo diretor depois também o avaliem a ele?
Primeira Perguntita Ponto Um – Isto não
será promiscuidade avaliativa?
Segunda Perguntita – Alguém se
importaria que fosse a IGE a avaliar o diretor?
Terceira Perguntita — E se os diretores
não fossem avaliados por ninguém lá das alturas (como acontecia com os
pré-históricos presidentes de conselho executivo) e, em vez disso, se
sujeitassem à ditadura do voto secreto e universal?
Meia perguntita – Viria mal ao mundo, ou
nem por isso?
Só perguntei!!!
Luís Costa
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
Tolices de Poeta
MOTE
As palavras… Tanto já foi dito
sobre elas! Tantos poetas as disseram e desdisseram! Ó palavras, que estranha
sina a vossa!
GLOSA
Há dias, na minha escola, tal
como acontece em todo o país, foram dados a conhecer os resultados de um
inquérito oficial à comunidade escolar. Vinham separados, de acordo com
as seguintes amostras (cito):
“- alunos do 1.º ciclo;
- alunos dos 2.º e 3.º ciclos;
- pais e encarregados de
educação;
- trabalhadores”.
Confesso que a palavra
“trabalhadores” me deu volta ao estômago. Trabalhadores! Uns são “alunos”,
outros são “pais e encarregados de educação” e os restantes são uma espécie de
massa indistinta, uma amálgama desclassificada, multifuncional, metida no mesmo
saco. Trabalhadores! Ai, palavras!
Não tenho nada contra o facto de
ser considerado trabalhador — eu próprio
me considero muito trabalhador —, mas quando faço parte de uma organização, de
uma instituição cujos membros têm papéis e funções específicas, eu exijo que
seja respeitada a minha identidade. Então os pais e encarregados de educação
não são trabalhadores? Ai, palavras!
As nevadas, mesmo as grandes, não
caem subitamente: primeiro, surgem algumas gotículas de chuva, ínfimas e leves,
que parecem cirandar no céu; depois, vem a água-neve; finalmente, quase sem
transição percetível, aparecem os farrapos, grandes e abundantes. E a terra,
num instante, fica coberta, inerte, rendida. Certas palavras, tal como a
água-neve, também trazem água no bico, são prenúncio de tempestade. Ai, palavras!
Quando vi esta palavra sobre os
esquadrões estatísticos dos resultados do inquérito, por impulso, saí da sala para ver a
sinalética que estava sobre a porta. Felizmente, ainda não fora alterada para
“Sala de Trabalhadores”! Tolices de poeta! Não liguem!
Extrema-Unção
Estou, novamente, com uma certa propensão para concluir que… melhor seria
se eu entregasse este blogue a um padre. Há demasiada gente a precisar de uma extrema-unção.
Desculpem a franqueza!
Luís Costa
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Crónica de Santana Castilho
A confissão de Pedro Passos Coelho
Passos Coelho perguntou, com
legitimidade, referindo-se a José Sócrates: “ Como é possível manter um Governo
em que o primeiro-ministro mente?” Teimo na redundância de retomar factos
sobejamente conhecidos, que justificam devolver a pergunta a quem a formulou e
é, agora, primeiro-ministro. Porque a memória dos homens é curta e a síntese é
necessária para compreender o que virá depois.
Passos Coelho enganou os
portugueses quando disse que não subiria os impostos, que não reduziria as
deduções fiscais em sede de IRS, que achava criminosa a política de
privatizações só para arranjar dinheiro, que não contariam com ele para atacar
a classe média em nome de problemas externos, que era uma “grande lata”, por
parte do PS, acusá-lo de querer liberalizar os despedimentos, que não reduziria
a comparticipação do Estado nos medicamentos, que não subiria o IVA e que falar
de cortar o subsídio de Natal era um disparate. Passos Coelho enganou os
portugueses quando, imagine-se, acusou o PS de atacar os alicerces do Estado
social, censurou a transferência do fundo de pensões da PT para o Estado,
acusou o Governo anterior de iniquidade porque penalizava os funcionários
públicos e os tratava “à bruta”, responsabilizou as políticas socialistas pelo
aumento do desemprego e das falências, recusou pôr os reformados a pagar o
défice público ou garantiu que o país não necessitava de mais austeridade. Tudo
retirado de declarações públicas de Passos Coelho, sustentadas documentalmente.
Tudo exactamente ao contrário do que executou, logo que conquistou o poder.
Quem defende Passos Coelho
argumenta, de modo estafado, que os pressupostos mudaram e que ele foi
surpreendido pelo que encontrou quando tomou posse. A justificação é
inaceitável. Porque só é sério prometer-se quando se está seguro de poder
cumprir e porque existem declarações públicas de Passos Coelho afirmando que
conhecia bem a situação do país. Todavia, esta questão foi definitivamente
ultrapassada pelos acontecimentos recentes. Com efeito, o percurso começa agora
a ser esclarecido. O qualificativo “piegas”, com que Passos Coelho injuriou o
povo que lidera, não é fruto de um discurso infeliz. É, antes, uma peça de um
puzzle de conduta política, cuja chave está numa frase inteira. Passos Coelho
pronunciou-a quando, referindo-se ao programa da troika, afirmou: “… não
fazemos a concretização daquele programa obrigados, como quem carrega uma cruz
às costas. Nós cumprimos aquele programa porque acreditamos que, no essencial,
o que ele prescreve é necessário fazer em Portugal …” Com esta frase, Passos
Coelho tornou claro um radicalismo ideológico que amedronta. Com esta frase,
Passos Coelho inviabilizou o argumento da mudança de pressupostos e confessou,
implicitamente, a sua manha pré-eleitoral. O seu “custe o que custar” é,
tão-só, uma variável discursiva da máxima segundo a qual os fins justificam os
meios. O fim de Passos, confessado agora, sempre foi o que acha ser “…
necessário fazer em Portugal …” Não como inevitabilidade imposta pelos
credores, a contragosto de um primeiro-ministro que sofresse com o sofrimento
do seu povo. Mas como convicção radical de uma ideologia que, para se impor no
seu fim, aceitou o meio de mentir com despudor. Ficámos agora a saber que
Passos Coelho mentiu conscientemente. Ele o disse.
in Público, 15/02/12
A Mata de Roquelanes
(Aos meus colegas)
Na mata de Roquelanes — dizem — houve em
tempos um tesouro. Por ele, três irmãos se se desuniram, se atraiçoaram e se
mataram. E ele lá ficou, quase intacto, velando o tempo. Reza a história que
ele ainda lá está. Porém…
Passaram muitos anos pelas árvores da mata
de Roquelanes. Hoje, as suas feições ostentam as marcas indeléveis do tempo que
passou. Onde outrora apenas havia árvores, esbracejando, folheando e avolumando
a esférica verdura no azul oxigenado do céu, há agora novos entes, ali deixados
pelo acaso, a assenhorar-se da paisagem. São as heras.
As heras são cobras vegetais. Elas
rastejam, elas trepam, elas insinuam-se e espalham-se por todo o lado. No
início, a sua monótona folhagem parece vestir de ricas peles os esguios troncos
das árvores. E o quadro deslumbra de romantismo o olhar de quem passa, de quem
contempla, de quem ali se apeia do tempo para se retemperar no colo da
natureza. Foi o que sucedeu na mata de Roquelanes. Porém…
Tal como as cobras, as heras da mata de
Roquelanes cresceram, afilharam e espalharam-se silenciosamente, em movimento quase
inerte pelos interstícios do tempo. Tal como as cobras, elas foram-se
enroscando aos troncos; depois, aos ramos mais grossos; seguiram-se as pernadas
mais finas; finalmente, as vergônteas cimeiras. Tal como as cobras, que trazem
no corpo invertebrado a mudez da morte, as heras foram apertando, foram
estrangulando, asfixiando os últimos sopros de vida de muitos membros do
vetusto arvoredo.
Hoje, Roquelanes parece um bosque de arbóreos
esqueletos em lenta digestão. Entre o corpo réptil das heras predadoras e a
casca seca e carcomida das árvores sufocadas, prolifera uma múltipla fauna minúscula
e abjeta de seres cujo destino parece confinar-se a uma existência escura,
fechada e larvar. Nesse submundo avesso, há um odor pútrido que denuncia
degeneração. Porém…
Porém, ainda há árvores intactas! Talvez
elas sejam as guardiãs do tesouro daquela mata. Mondando as heras, salvamos o
tesouro de Roquelanes.
Luís Costa
Neste texto, faz-se alusão à mata de
Roquelanes do conto “O Tesouro”, de Eça de Queirós.
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
Falar de Amor
Falar
de Amor
Que te amo
Eu não te digo
Amiúde como querias
Mas de amor
Teço os meus dias
E as minhas poesias
Contigo são
De amar-te
Eu não consigo
Deixar porque não sei
Amar-te
É o meu abrigo
A Estrela que persigo
O meu Fado
E minha Lei
De amar-te
Eu não consigo
Decantar a emoção
Amar-te
É ser contigo
Ser teu rei
E teu mendigo
Fez-se minha condição
Que te amo
Eu não te digo
Muitas vezes eu sei
Mas amo-te
De instinto
E sei e sinto
Que sempre te amarei
Flávio Monte
Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
Grande Medra!
Em incertas e pouco determinadas escolas,
os diretores optaram por democratizar o seu supremo poder disciplinar,
concedendo-o — por delegação de competências — aos diretores de turma, uma
casta de abúlicos que não sabem o que fazer durante as eternidades que o
Ministério da Educação lhes concede para passarem umas faltitas, que, rarissimamente,
lá acontecem: um ou outro estudante que não tem outro remédio senão faltar,
para ficar em casa a cuidar dos avós.
Ora acontece que os diretores de turma, de
tão desocupados que andam, não perdem uma oportunidade para dar corda ao
relógio e aos neurónios. Por dá cá aquela palha — um aluno que, por exemplo, em
vez de dizer “Senhora Doutora” com todas as letras, diz apenas “setora”, com
minúscula) — por dá cá aquela palha, dizia eu, esses detês apáticos, mas
desejosos de fazer currículo, como é bom de ver, movem logo processos
disciplinares aos alunos, castigam-nos sem dó nem piedade, vão-se a eles de
forma completamente parcial e injusta, acusam-nos de tudo e mais alguma coisa. Nem
pode um professor dizer que o aluno X espirrou na aula, que o detê ripa logo da
papelada e zás, abre um processo tão labiríntico ao rapaz, que ele chega mesmo
a desejar não ter nascido. Até faz doer o coração! Estas escolas parecem campos
de concentração de disciplina.
Não sei quem teve ideia tão hedionda como
esta de passar competências disciplinares para os detês. Se ao menos eles
andassem sobrecarregados de trabalho e não quisessem nada com processos, ainda
vá lá c’os diabos! Se ao menos cada um fizesse as coisas à sua maneira, sentenciando
ao seu estilo, de modo a que a disciplina nessas escolas parecesse um catálogo
de tintas, e os coitadinhos dos alunos pudessem reinar à vontade, ainda vá lá c’os
diabos! O problema é que os detês nessas escolas, não só são autênticas máquinas
de atuar, de processar, de torturar, como também agem como se fossem soldados
chineses em formatura: parecem um único e um só a decidir. Um assombro! Nenhum
diretor consegue tamanha coerência, por muito coerente que seja.
Nessas escolas, pode faltar muita coisa,
mas disciplina é coisa que não falta. É tanta que até anda por ali ao pontapé. Só
que os putos assim não medram!
Luís Costa
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Estupidamente Feliz
"ISTO NÃO É O QUE PARECE"
Primeiro, foram
as declarações de Cavaco Silva, que todo o povo ignaro interpretou mal; depois,
foi a tirada dramática de Passos Coelho, que todos nós compreendemos de forma
muito básica; mais tarde, foram as cuspidelas de Martin Schulz, que chegaram completamente
distorcidas aqui à periferia da civilização; finalmente, foi a conversa de
Vítor Gaspar, do poderoso Vítor Gaspar, com o ministrozinho Wolfgang
Schäuble ,
que, pelos vistos, foi interpretada por toda a populaça “analfabruta” de forma muito arrevesada,
com extrapolações estapafúrdias e especulações… sei lá… estrambólicas, "anacreônticas", ou coisa
que o valha ou deixe de valer.
Mas quem deu ao
povo autorização para pensar? O povo foi feito para trabalhar, debaixo de
ordens, e é um pau! Pensar, pensar… Pensar não é para toda a gente! Então
interpretar… Interpretar é só para profissionais! Razão têm os professores de
Matemática: nós não temos sucesso por não sabermos interpretar os problemas.
Vou deixar-me de
interpretações. Para quê? Nunca acerto! É mais ou menos como com os números do
Euromilhões, que nunca são iguais aos meus. Quando me atrevo a interpretar as
palavras e as atitudes dos políticos, acabo sempre o dia numa bebedeira de frustração.
À noite, nos telejornais, e depois deles, os verdadeiros intérpretes, os profissionalíssimos e competentíssimos “semanticistas” do
regime, surgem sempre na tela com um alinhamento muito diferente do meu. É um balde!
Doravante, vou
esperar primeiro por eles, como quem joga no Euromilhões depois de ver o
sorteio. E vou ser feliz, estupidamente feliz!
Luís Costa
Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012
Rei Disparate
Passos Coelho vai de asneira em asneira, e
o país vai de mal a pior. De vez em quando, lá vai ele a despacho ao gabinete
de Merkel, com a tabuada bem sabidinha, deveres bem feitinhos, e, como bom
menino que é, com alguns trabalhos adicionais, para ter boa nota nas latitudes e
desvalores. Todavia, como a tutora não é quem se pinta, e o rapaz não sabe bem o
que anda a fazer, o barco parece ir a todo o vapor, como o Titanic.
Tal como os alunos mais empenhados em
participar nas aulas a todo o custo, mesmo que para isso tenham de responder
sem pensar, o nosso Primeiro deu em pôr em prática, logo pela manhã, tudo o que
lhe vem à cabeça durante a noite. Desde que seja para retirar direitos a quem
trabalha, o seu superego fica logo de férias, de feriado ou de ponte. E o
homem aproveita a saída do patrão para aviar tudo o que lhe vem à mão.
Um dia destes, lembrou-se da intolerância
de ponto no Carnaval. E foi o que se viu e vê: uma insensatez pegada, uma
estupidez de ponta a ponta, quer a nível económico quer a nível social. E como
uma estupidez nunca fica órfã, o seu progenitor, quando se preza, assume a sua orgulhosa
paternidade e dá-lhe assistência vitalícia, contra ventos e marés. Vai ser
desautorizado em quase toda linha, pois, felizmente, ainda há quem veja quando
o rei vai nu, sobretudo se ele vai nu a ponto de se lhe verem os seus neurónios
a ranger. Digo “em quase toda a linha” porque, infelizmente, por muito obtusa
que seja uma ideia, por muito escaganifobética que seja uma medida, há sempre
quem esteja de acordo, quem apoie e quem aplauda. Há gente para tudo!
Nas nossas escolas, para mal deste
desgraçado país, não faltam espécimes destes à cata de tudo o que traga um
carimbo em forma de pata de paquiderme para porem sobre os colegas professores.
Esses Herr Direktors já estão a
acolher o aborto governamental de braços abertos, e a recebê-lo com honras
imperiais. Para mal do presente e dos amanhãs deste malogrado país, muitas das
nossas escolas estão entregues a caciques de meia-tigela dispostos a tudo fazerem
para poderem snifar mais um grama de poder. Pelas amostras, este ano o disparate
vai ser rei do Carnaval.
Quando a insensatez ganha foros de
insanidade, a DESOBEDIÊNCIA deixa de ser um delito para se tornar uma obrigação
moral.
Luís Costa
Domingo, 5 de Fevereiro de 2012
Os Nababos
Felizmente, a “indisciplicultura” não é
apanágio de todas as escolas. Indisciplina, há-a por todo o lado, tal como há
ervas daninhas em todas as hortas. Todavia, o que numas escolas é exceção,
adventício, noutras é a regra, a cultura dominante. E não é apenas a falta de
rigor normativo que gera a indisciplina. Esta resulta também de uma complexa
camuflagem, que visa deixar a escola muito bonita para a fotografia dos
inspetores. Creio que, visto de cima, o Photoshop é percetível, mas… tudo bem,
se acaba bem!
Em muitas escolas, há um generalizado
pacto tácito de abafamento da indisciplina, a bem da sacrossanta avaliação
externa. Não interessa nada que a instituição faça má figura nas passerelles inspetivas. Pouco importa se, no dia-a-dia, os alunos chamam tudo e mais alguma coisa a professores, funcionários
e colegas; pouco importa se há mais barulho do que num mercado; pouco importa se há mais lixo do que numa feira;
pouco importa se as aulas são, acima de
tudo, uma constante “luta” pela ordem, pelo respeito, pelas condições mínimas
de lecionação;
pouco importa se, para poder ensinar, o professor é obrigado a
usar sistematicamente a medida cautelar, e sistematicamente com aqueles que
nada fazem nem querem deixar fazer;
pouco importa se estas situações se
arrastam sem que haja uma alma que sancione esses alunos; não interessa. O que
realmente importa é que nada disto se transforme em papéis de música, para não
dar nos ouvidos. Tudo se resolve com conselhos, com avisos, com algumas bananas
verbais, com palavrinhas mansas, com frases dúbias, que deixam os alunos a
pensar que, afinal, eles até têm razão: o professor é que é demasiado rígido,
ou demasiado exigente, ou demasiado “porreiraço”, ou muito chato, ou
incompetente, ou não sabe motivar, ou diz coisas que não deve… No final, tudo
passa e quase todos passam. Tudo tem de “melhorar”, ainda que não melhore. Para
isso, existe o papel, que é o início e o fim de tudo.
Em muitas escolas, à volta de direções
bananeiras, cresceu uma fauna amacacada que gosta dos seus frutos. Na maior
parte dos casos, estes espécimes foram escolhidos a dedo já com esse fim. Fazem
todo o tipo de piruetas e de macaquices, sobretudo se for contra os colegas, a
parte com cotação bolsista mais fraca, neste momento. É a lei da sobrevivência,
é a lei da selva, é a selvajaria mais absurda.
O lurdismo gerou e alentou pequenos nababos
das escolas. Eles alaparam-se no poder — o que lhes foi conferido pela lei e o
que resultou do medo de muitos professores —, criaram a sua corja de serviçais
acéfalos, e montaram autênticos viveiros de números, números que chegam às
montras e ao consumidor de todas as maneiras e feitios. Se os números vestirem
bem, o resto pouco interessa.
Sei que há escolas cujos diretores
delegaram as suas competências disciplinares nos diretores de turma, para
poderem dedicar-se, a tempo inteiro, a coisas muito maiores, aquelas que se
fazem no insondável espaço dos seus alquímicos gabinetes. Não sei, nem quero
saber, que coisas são essas, pois já noutros tempos nos diziam para não nos interrogarmos sobre o que
faziam os nossos superiores, porque eles tinham preocupações e deveres que nós
não poderíamos sequer imaginar. O que eu sei é que em cada uma dessas escolas,
há um Pilatos na tribuna a ver, lá em baixo, tantas cabeças quantas sentenças. E
sobre elas, há um enorme apagador.
MORAL DA HISTÓRIA
Muitas escolas, sobretudo aquelas que se
fizeram “indisciplicultoras”, estão a tornar-se insuportáveis para os
professores que não quiseram, nem querem, amacacar-se. Nessas escolas, não
adianta os professores encostarem-se ao muro das lamentações. É a hora de se
começarem a organizar para tirar os nababos do poder e dar uma vassourada bem dada
em toda a macacada que pula e pulula à sua volta. É esse o caminho.
Luís Costa
Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
Carta Aberta aos Meus Colegas
Estimados colegas,
MOTE
O Sol mora lá longe, muito longe, mas os
seus quentes cabelos de luz abraçam o universo e anulam as distâncias. Por
vezes, há Nuvens negras que nos escondem o ouro do céu que pinta as cores da
natureza. Mas as Nuvens que escondem o Sol, também trazem à Terra o seu maná,
os dias amenos, os horizontes mais nítidos. E não há Nuvens permanentes, tão
permanentes e tão constantes como o Sol. Ao menor desvio, à menor fissura, ele
ali está, paciente, seguro, quase eterno, pronto para devolver Iris à Terra.
O Vento é tão invisível quão poderoso. Os
seus ataques de fúria são destruidores, arrasadores, mas não é esse o seu poder
maior. Subtilmente, delicadamente, ele poliniza, ele leva as sementes para
longe, para muito longe, e emprenha a Terra com elas.
A Chuva não é invisível como o Vento.
Contudo, embora doce e delicada, também pode ser deletéria. Mas não é esse o
seu poder maior. Subtilmente, delicadamente, ela desce pelos mais ínfimos poros
da Terra, amamenta os seus mais ínfimos esporos, e faz o mistério da vida no
reino do silêncio e da escuridão.
A Terra é o ventre omnipotente.
O Tempo é eterno.
GLOSA
Um dia, os homens vieram com as suas
máquinas arrasadoras, e rasgaram a pele da Terra. Depois, cobriram-na de negro
e espesso Asfalto. Por fim, cilindraram-no repetidamente, pesadamente, sufocantemente,
para tornar estéril o miolo do ventre.
E assim foi, durante algum tempo. E
durante esse tempo, tempo imóvel, mudo e sem estações, aquele chão foi apenas cemitério
de luz, de calor e de vida. Parecia que a morte se sepultara e eternizara ali.
Parecia. Porém, o eterno Tempo não parou. O Tempo juntou à sua roda o Vento, as
Nuvens, a Chuva e o Sol. E todos ali ficaram, o tempo que o Tempo quis, a falar
da Terra.
Um dia, tão dia como o dia que trouxera os
homens e as máquinas, subtilmente, delicadamente, silenciosamente, o Vento
trouxe as Nuvens, e as Nuvens trouxeram a Chuva. Depois, o Vento deu o braço às
Nuvens e levou-as em passeio. Então chegou o Sol, que poisou os seus quentes
cabelos de luz no Asfalto. Timidamente, ele desenhou dois lábios negros, mas,
de seguida, emudeceu e voltou à sua uniforme e compacta negritude. Porém, o
Vento voltou, e trouxe asNuvens, que trouxeram mais Chuva. E o Vento voltou
a levar as Nuvens, e o Sol também voltou, e tornou a voltar, e voltou sempre
até o Asfalto lhe oferecer um sorriso.
Bastou um sorriso.
E a Terra deu à luz um filho do Sol.
Sempre ao vosso dispor.
Luís Costa
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Impessoas
Impessoas
As pessoas pensam
Que é melhor não pensar
Não refletir
Concluir
Opinar
As pessoas pensam
Que é vão contestar
Vão discutir
Intervir
Reclamar
As pessoas pensam
Que é inútil lutar
Inútil resistir
Exigir
Arriscar
As pessoas
Deixaram de acreditar
Esquecem
Obedecem
Parecem vegetar
As pessoas
Deixaram de sonhar
Escurecem
Arrefecem
Estão a caducar
As pessoas
Não estão boas
Flávio Monte
Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Crónica de Santana Castilho
Quando
a política se torna porca
1. O período de discussão pública (que
substantivamente foi privada) da proposta de revisão curricular terminou.
Seguir-se-á o que já estava decidido: a imposição do “cratês”, em discurso
indirecto, que o directo pertence a Gaspar e demais estrangeirados. Como fecho
de brincadeira e para memória futura, eis o que me parece essencial:
- O que Nuno Crato propôs é pontual e
não tem outro fim que não seja a redução das despesas com a Educação. Se
pretendesse mudar a política bipolar em que temos vivido há 37 anos, teria
começado por envolver os profissionais da Educação na definição das metas de
chegada para os diferentes ciclos do sistema de ensino e teria seguido, depois,
um processo técnico óbvio: desenhar uma matriz de disciplinas, conceber os
programas respectivos e definir as cargas horárias que os cumprissem. Crato
inverteu o processo, como faria o sapateiro a quem obrigassem a decidir sobre
currículo: fixou as horas lectivas e anunciou que ia pensar nas metas, sem
tocar nos programas. Lamento a crueza, mas mostrou que a sua coluna de
cientista é gelatinosa: um bafo de troika e um sopro de Gaspar bastaram para
vergar a coerência mínima. A prosa que sustentou a proposta em análise e o fim
das “competências essenciais” permitiu evidenciar que a imagem de rigor de Nuno
Crato foi, apenas, uma fátua criação mediática. O que disse é vago e
inaceitavelmente simplista. O que são “disciplinas estruturantes” e por que são
as que ele decreta e não outras? Quais são os “conhecimentos fundamentais”? O
que são o “ensino moderno e exigente” ou a “redução do controlo central do
sistema educativo”, senão versões novas do “eduquês”, agora em dialecto
“cratês”? Fundamentar e definir são acções que Crato reduz ao que ele acha. O
cientista é, afinal, um “achista”. Crato cortou e Crato acrescentou
aleatoriamente.
- Chegaram ao sistema de ensino os
primeiros jovens que aí vão ser obrigados a permanecer até aos 18 anos, quer
queiram quer não. Se prolongar a escolaridade obrigatória foi um disparate,
omitir das alterações curriculares qualquer reformulação do ensino profissional
e pós-laboral é simplesmente irresponsável.
in Público, 01/02/2012
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Os Indisciplicultores
Plantação de Maconha
À semelhança do que acontece com toda espécie
de culturas, a “indisciplicultura” não existiria sem “indisciplicultores”. Eles
estão nas várias fases do processo, com papéis muito específicos, responsabilidades
proporcionais ao poder de decisão de cada um e riscos de saúde condizentes com
a proximidade ou distância face ao produto final.
No setor da produção de sementes, estão os
altos decisores, aqueles que produzem os germes. São eles que, com o seu
trabalho de génese, acabam por determinar o sucesso ou insucesso de toda a cadeia
produtiva. Se quisessem, com maior ou menor subtileza, eles poderiam pôr uns a
trabalhar para o boneco, e a fazer de bonecos, enquanto outros, destinados a
serem bonecos na vida, iriam passando de ano para ano, passando as quatro
estações na bonecada. Mas não querem, pois estes produtores das sementes da
indisciplina são muito profissionais e, no meu entender, é a eles que devemos a
alta produtividade atual, que já conta com vários milhares de toneladas de
excedentes de produção. Todavia, como são pessoas muito modestas, nunca aceitam
os louros do seu trabalho, devolvendo-os sempre aos trabalhadores que estão no
terreno. O altruísmo, quando é genuíno, é tão precioso que chega a ser
comovente.
A meio do processo, estão os dirigentes das
quintas, das hortas e das estufas, onde cresce esta autêntica pérola do desenvolvimento
nacional, este ventre de um segundo futuro quinhentista. Diz o povo, e com
razão, que “mais vale um bom mandador do que um bom feitor”. Estes “mandadores”,
quando são competentes a valer, tratam as sementes com tal carinho, que a
indisciplina parece nascer e crescer com tanta beleza e com tanta
espontaneidade como os lírios do campo. É um assombro! Então, quando conseguem
passar o talento para os seus subordinados… o campo parece um paraíso na Terra:
enquanto a indisciplina cresce livremente (múltipla, viçosa e exuberante), os
agentes vão entoando, para o lado, lindos e bucólicos trinados de assobio. Ah,
fosse eu um Camões, ou apenas um Caeiro! Se tivesse tal talento, como eu “sonetaria”,
como eu “poetaria”, com a minha pena, os devidos louros de indisciplina que
também eles não têm nem querem ter.
No final da cadeia de produção, a meter
pés e mãos na terra, estão os braçais. Os melhores de entre os melhores também
se distinguem à distância, se for lateral, por causa do assobio adubador e reprodutor.
Um olhar mais atento consegue ver a indisciplina a crescer em compasso perfeito
com o assobio. É um deslumbramento artístico inigualável, indescritível.
Todavia, são estes os menos privilegiados de toda a cadeia de produção e,
simultaneamente, os que mais riscos correm: se a erva daninha da disciplina ameaça
a produção, são eles os culpados; se alguma doença ataca a plantação, são eles
que a contraem também e a levam para casa; são eles que sofrem os efeitos
secundários dos pesticidas. Mas, tal como não há bela sem senão, também, por
vezes, há vários anões com uma bela: é o caso dos sete anões e da Branca de
Neve. Pois é, a cadeia de produção, além de boa, é generosa e magnânima: os
braçais ficam sempre com os louros todos. E está bem, coitados! Está muito bem!
Tudo está bem quando acaba bem!
FIM
Luís Costa
Domingo, 29 de Janeiro de 2012
Indisciplicultura
O Expresso deste sábado voltou a trazer o
tema da indisciplina para a ordem do dia. Todavia, não é para comentar o
conteúdo da Revista que eu decidi trazer esta questão, uma vez mais, a este
espaço, estragando assim a noite de domingo aos meus generosos leitores. Vou
restringir, por hoje, a abordagem ao contexto escolar, e pegar no problema à
minha maneira, como é meu timbre (para o bem e para o mal).
A indisciplina grassa nas escolas com mais
pujança do que as ervas daninhas numa horta, e grassa há tanto tempo que até já
desgraça. Seria tentador perguntar de imediato porquê, mas não vou fazê-lo. Vou
deixar essa pergunta para outro(s) artigo(s). Hoje, sem tirar conclusões
perigosas, sem fazer juízos de intenção que não posso provar, vou limitar-me a perguntar
quem sai beneficiado com esta escandalosa situação. E vou tentar responder,
como é óbvio, com algumas constatações. Embora pareça estranho que a
indisciplina escolar possa dar proveito a alguém, o facto é que, tal como acontece
com todas as misérias deste mundo, há quem se dê muito bem com ela.
No meu entender, os primeiros
beneficiários são aqueles que querem ver fora do sistema os professores mais
experientes (que também são os que ganham mais). É irrefutável que, depois de
todo o bullying exercido pelo próprio
Estado, e que empurrou muitos profissionais para a reforma antecipada, a
indisciplina funciona como uma espécie de segunda linha de ataque. Quem, pela
idade, ou por alguma teimosia, resistiu ao primeiro, acabará por sucumbir ao
segundo, tal é a degradação pedagógica que se está a atingir. Quem encontra
condições mínimas para se ir embora vai mesmo, em nome do respeito e das
memórias que quer levar.
Se os primeiros beneficiários veem algum
retorno por parte dos docentes que vão aligeirando os quadros, os segundos recebem-no
do lado dos discentes: são aqueles que têm interesses no ensino particular.
Como facilmente se depreende, a indisciplina nas escolas oficiais empurra
muitos alunos para as escolas particulares, que crescem e florescem a todos os
níveis. E nem a crise chega para estancar tamanha hemorragia. Por este andar,
em muito poucos anos, as diferenças serão abismais.
Na minha cândida e provinciana perspetiva,
os menos beneficiados com este lodo educacional são os alunos, todos os alunos cujos
pais, ou encarregados de educação, não têm dinheiro para fazer opções. Doravante,
não sei por quanto tempo, muitos “remediados” vão ter de beber o seu próprio
fel para conseguirem algo na vida, e os pobres, esses, só vão poder voar com asas
de galinha. Haverá sempre quem o consiga, mas esse feito não vai ser regra.
São estes os melhores frutos da “indisciplicultura”!
Luís Costa
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Kavako não veta lei
Como tenho andando muito “sério”, a
fazer chorar os meus leitores, hoje decidi fazer uma cândida brincadeira, para
desopilar. Cantem comigo, que não vão arrepender-se.
Reiniciem a
música. Um, doiiiiis, três!
DVD Galinha Pintadinha: "O Sapo não lava o pé"
Kavako não veta lei,
Não veta porque não quer,
Ele mora lá em Belém
Não veta lei porque não quer.
Mas
que chulé!
Chiiii! Esta
música do Kavako está muito fácil, não está? Vamos tentar cantar usando só uma
vogal? Então vamos começar pelo A.
Kavaka na vata la,
Na vata parca na ca,
Ala mara la a Bala
Na vata la parca na ca.
Mas ca chala!
E agoooora, usando só o E. E assim por diante.
Keveke
ne vete le,
Ne
vete perque ne que,
Ele
mere le e Bele
Ne
vete le perque ne que.
Mes
que chele !
Kiviki
ni viti li,
Ni
viti pirqui ni qui,
Ili miri li i Bili
Ni
viti li pirqui ni qui.
Mis
qui chili !
Kovoko no voto lo,
No voto porco no co,
Olo moro lo o Bolo
No voto lo porco no co.
Mos co cholo!
Kuvucu
nu vutu lu,
Nu
vutu purcu nu cu,
Ulu
muru lu u Bulu
Nu
vutu lu purcu nu cu.
Mus
cu chulu !
Luís Costa
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